Recorde do Remo esconde problema que preocupa a diretoria
O programa de sócio-torcedor do Remo alcançou um marco histórico em 2025. O Nação…

O programa de sócio-torcedor do Remo alcançou um marco histórico em 2025. O Nação Azul arrecadou R$ 6,49 milhões, um crescimento de 134,3% em relação a 2024 e quase o triplo do registrado em 2023. Apesar do avanço expressivo, os números mostram que o clube ainda enfrenta um desafio importante: transformar a paixão da torcida em uma fonte de receita recorrente.
Atualmente, o programa ocupa apenas a quarta posição entre as principais receitas do Remo, ficando atrás da bilheteria, dos contratos de marketing e patrocínio e dos direitos de transmissão.

O sócio-torcedor ainda representa uma pequena parte da receita?
Embora tenha registrado crescimento recorde, o programa ainda movimenta valores muito inferiores aos da bilheteria. Em 2025, a venda de ingressos arrecadou R$ 28,2 milhões, mais de quatro vezes o valor obtido com as mensalidades dos sócios. Enquanto a bilheteria respondeu por cerca de 34% da receita bruta do clube, o Nação Azul representou apenas 7,8%.
Nos últimos três anos, a diferença também chama atenção: foram aproximadamente R$ 55 milhões arrecadados com ingressos, contra R$ 11,4 milhões provenientes do programa de sócios. Hoje, o Remo conta com cerca de 4.819 associados ativos.
Aumentar o número de sócios é importante?
A principal vantagem de um programa de sócio-torcedor não é apenas arrecadar mais dinheiro, mas oferecer previsibilidade financeira. Diferentemente da bilheteria, que depende do desempenho do time, da importância da partida e até das condições climáticas, a mensalidade do associado entra todos os meses no caixa do clube.
Um exemplo dessa oscilação aconteceu na partida contra o Vitória, quando o Remo registrou seu menor público da Série A até então: 13.017 torcedores. A renda líquida ficou em apenas R$ 185 mil, muito abaixo do registrado em jogos de maior apelo.
Já para o confronto contra o Santos, pelas oitavas de final da Copa do Brasil, a expectativa é de arrecadação milionária, mostrando como a receita de bilheteria pode variar drasticamente de um jogo para outro.
O que a diretoria pretende mudar?
Em entrevista ao canal RS Live Sports, o presidente Antônio Carlos Teixeira, o Tonhão, confirmou que o clube estuda mudanças no programa de sócio-torcedor. Segundo ele, uma reformulação será necessária, mas não durante a disputa do Campeonato Brasileiro.
“A gente tem pensado nisso. Porque tem que mudar o modelo, o formato do nosso sócio-torcedor. Só que não dá para fazer essa mudança com o campeonato andando, com o trem em movimento, porque aí vai dar confusão.”
O dirigente explicou que um dos principais desafios é o próprio formato do Mangueirão, que possui poucas opções de setores para o público.
“Nos outros estados existe a setorização dos estádios, e nós não temos. Hoje temos basicamente arquibancada ou cadeira. Aí você tem que estabelecer um preço.”
O torcedor conhece todas as vantagens?
Na avaliação de Tonhão, não. O presidente acredita que muitos torcedores associam o Nação Azul apenas ao ingresso para os jogos, mas desconhecem os diversos benefícios oferecidos pelo clube.
“O Remo, em termos de oferecimentos e serviços associados ao sócio-torcedor, não perde para qualquer outro clube. Talvez por culpa nossa, nós não tenhamos batido nisso para divulgar. Tem desconto nas lojas, ótica, barbearia, hamburgueria e uma série de vantagens que talvez o torcedor ainda não conheça.”
Com o crescimento da receita e a promessa de reformulação, o próximo desafio do Remo será transformar parte da multidão que lota o Mangueirão em sócios permanentes. Quanto maior essa base, menor será a dependência da bilheteria e mais previsível ficará o planejamento financeiro do clube.

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