Leonel Picco, volante do Remo, autor do segundo gol no triunfo contra o Bahia pela Copa do Brasil — Foto: Samara Miranda / Ascom Remo

Remo bateu recorde de estrangeiros, mas maioria perdeu protagonismo

Nos últimos dois anos, o Remo ampliou sua presença no mercado internacional e bateu recordes na contratação de jogadores estrangeiros. Se em 2025 o clube já havia alcançado a marca inédita de sete atletas de fora do Brasil no elenco, em 2026 o número cresceu ainda mais, chegando a 11 estrangeiros simultaneamente no grupo azulino.

Atacante Nico | Samara Miranda / Remo

No entanto, o volume de contratações não se transformou em protagonismo dentro de campo. Com a temporada avançando, boa parte dos atletas estrangeiros perdeu espaço no elenco comandado por Léo Condé e alguns já deixaram o Baenão.

Grego encerra passagem pelo Leão

O caso mais recente é o do meia Panagiotis Tachtsidis. Primeiro jogador grego da história do Remo, o atleta teve sua saída oficializada nos últimos dias após acordo entre as partes.

Contratado durante a Série B de 2025, o experiente meio-campista participou da campanha do acesso à elite e chegou a ser titular em momentos importantes daquela temporada. Em 2026, porém, disputou apenas seis partidas e acabou perdendo espaço no grupo.

Além dele, outros estrangeiros também deixaram o clube ao longo do ano, como o volante colombiano Cantillo e o atacante uruguaio Nico Ferreira.

Recorde histórico de estrangeiros

O Remo atingiu no fim de março a marca de 11 jogadores estrangeiros no elenco, estabelecendo um novo recorde na história do clube.

Confira os estrangeiros do Remo no fim de março

Uruguai (4)

  • Cristian Tassano (zagueiro)
  • Franco Catarozzi (meia)
  • Diego Hernández (atacante)
  • Nico Ferreira (atacante)

Argentina (3)

  • Braian Cufré (lateral-esquerdo)
  • Leonel Picco (volante)
  • Rafael Monti (atacante)

Camarões (1)

  • Duplexe Tchamba (zagueiro)

Colômbia (1)

  • Cantillo (volante)

Grécia (1)

  • Panagiotis Tachtsidis (meia)

Guiné-Bissau (1)

  • João Pedro (atacante)

Muitos contratados, poucos protagonistas

Dos atletas estrangeiros que seguem no elenco, vários tiveram participação limitada na temporada. O uruguaio Franco Catarozzi soma apenas cinco partidas e praticamente não foi utilizado na Série A. O argentino Rafael Monti disputou sete jogos no ano e não atua desde abril. Situação semelhante vive o zagueiro Cristian Tassano, que sequer entrou em campo pelo Campeonato Brasileiro.

Já João Pedro, herói do acesso em 2025 ao marcar dois gols na partida decisiva, perdeu espaço e passou a ser apenas uma das alternativas para o setor ofensivo.

Outro nome que pode se despedir em breve é Diego Hernández. O atacante uruguaio tem contrato de empréstimo até o meio do ano e não existe, até o momento, sinalização de compra definitiva por parte do Remo. Na última partida antes da pausa para a Copa do Mundo, entrou apenas nos minutos finais da vitória sobre o São Paulo, em um cenário que pode ter marcado sua despedida do clube.

O lateral-esquerdo Braian Cufré também vive situação indefinida. Apesar de ter sido relacionado para diversas partidas da Série A, recebeu poucas oportunidades e pode deixar o Baenão na próxima janela.

Quem continua no elenco?

Com as saídas de Panagiotis, Cantillo e Nico Ferreira, o número de estrangeiros no grupo diminuiu significativamente.

Estrangeiros remanescentes no Remo

Uruguai (3)

  • Cristian Tassano (zagueiro)
  • Franco Catarozzi (meia)
  • Diego Hernández (atacante)*

Argentina (3)

  • Braian Cufré (lateral-esquerdo)**
  • Leonel Picco (volante)
  • Rafael Monti (atacante)

Camarões (1)

  • Duplexe Tchamba (zagueiro)

Guiné-Bissau (1)

  • João Pedro (atacante)

*Em reta final de empréstimo e com permanência considerada improvável.

**Pode deixar o clube durante a próxima janela de transferências.

Picco e Tchamba fogem à regra

Se muitos estrangeiros perderam espaço, dois nomes seguiram caminho oposto e se transformaram em peças fundamentais na equipe.

Leonel Picco, contratado junto ao Platense em uma negociação considerada a mais cara da história do clube, é o estrangeiro com mais partidas na temporada. O volante soma 22 jogos e se tornou presença constante entre os titulares de Léo Condé.

Outro destaque é o camaronês Duplexe Tchamba. Contratado durante a Série A, o zagueiro assumiu rapidamente a condição de titular absoluto e formou uma dupla sólida com Marllon na defesa azulina.

Desde sua estreia, Tchamba participou de todos os jogos do Remo e se consolidou como uma das principais contratações do clube em 2026.

Estratégia passa por reavaliação

O cenário atual mostra que a aposta no mercado internacional trouxe resultados distintos para o Remo. Enquanto alguns atletas tiveram papel importante na campanha do acesso e na adaptação à Série A, outros não conseguiram corresponder às expectativas.

Com a abertura da próxima janela de transferências se aproximando, a tendência é que o clube reavalie parte desses investimentos. A possível saída de nomes como Diego Hernández e Braian Cufré pode reduzir ainda mais a presença estrangeira no elenco.

Mesmo assim, casos como os de Picco e Tchamba mostram que o mercado sul-americano e internacional continua sendo uma alternativa importante dentro do planejamento azulino para os próximos anos.