Jogadores do Remo assistiram a virada do Águia | Vitor Miranda/Ascom Remo

Crise no Remo? Resultados negativos aumentam e discurso perde força

A derrota por 2 a 1, de virada, contra o Águia de Marabá não foi simplesmente mais um deslize. Selou a eliminação antecipada na Copa Norte e intensificou a impressão de que o planejamento do Remo para 2026 ainda não conseguiu apoio prático.

Os dois times duelam no estádio Zinho Oliveira, em Marabá. (Samara Miranda / Ascom Remo)

Desde o começo da temporada, a diretoria tem sido clara em sua posição: dar prioridade à Série A do Campeonato Brasileiro. Para isso, formou um grande elenco e usou jogadores menos utilizados na elite nas competições regionais, principalmente no Campeonato Paraense.

A questão é que a estratégia não gerou estabilidade, a equipe trocou de formação, não estabeleceu uma identidade e perdeu a sintonia. Quando os considerados titulares foram convocados para a final do Parazão contra o Paysandu, a situação permaneceu a mesma. O adversário conquistou o título, e Juan Carlos Osorio foi demitido após a derrota na partida inaugural da final.

Os resultados do treinador colombiano indicam um desempenho competitivo, porém inconsistente. Em 13 jogos, o time conquistou 4 vitórias, 7 empates e 2 derrotas, marcando 20 gols e sofrendo 17. Na Série A, não venceu nenhum dos quatro jogos que disputou, tendo registrado três empates e uma derrota.

© Fernando Torres/AGIFLéo Condé durante a partida de ontem

Com Léo Condé, a fala permaneceu a mesma, o rodízio continuou sendo usado como justificativa, até mesmo na Copa Norte. O resultado foi a eliminação com uma rodada de antecedência, com uma vitória, um empate e duas derrotas. Essa campanha foi considerada insuficiente para um clube do porte do Remo na região.

Os números de Condé também mostram desafios, em 10 partidas, foram 2 vitórias, 3 empates e 5 derrotas, com 8 gols marcados e 13 sofridos. No Brasileirão, obteve somente uma vitória em sete jogos.

É verdade que o Remo tem momentos competitivos na Série A, a equipe consegue equilibrar as partidas, gera chances e esteve perto de ganhar em vários confrontos.

Leão | Mauro Ângelo/Diário do Pará

A questão é a falta de habilidade para converter desempenho em resultado, a pós 11 rodadas, soma 8 pontos, ocupa a 18ª posição e encontra-se na zona de rebaixamento, com um triunfo, cinco empates e cinco derrotas. O ataque marcou 11 gols, enquanto a defesa permitiu 18.

No panorama geral da temporada, foram 26 partidas, com 6 vitórias, 12 empates e 8 derrotas. O saldo negativo é de 31 gols marcados e 34 sofridos. A grande quantidade de empates demonstra a competitividade parcial, porém também revela a ausência de imposição.

A tentativa de gerenciar prioridades teve um alto custo, o Remo foi derrotado no campeonato estadual, eliminado na Copa Norte e não consegue se recuperar na Série A. Ainda há a Copa do Brasil e o Brasileirão, competições que demandam o máximo e oferecem cada vez menos margem para erros.

Mais importante do que a estratégia é a sua implementação, a equipe oscila entre bons e maus momentos durante a mesma partida, não estabelece um padrão defensivo e ainda procura estabilidade emocional para finalizar os jogos. A fala sobre priorização só teria sentido se fosse acompanhada de resultados tangíveis. No entanto, até o momento, os números não corroboram a promessa.