Elenco do Remo é o segundo mais valorizado da Série B de 2025. | Dângelo Valente/Diário do Pará

Com Remo na Série A, bastidores da Libra vivem disputa milionária

A subida do Remo à primeira divisão gerou uma situação incômoda para os integrantes da Libra, a Liga do Futebol Brasileiro, que atua coletivamente para negociar os direitos de transmissão e as cotas de premiação em nome dos clubes envolvidos. De acordo com a investigação do jornalista Rodrigo Mattos, da UOL, a inclusão do clube paraense na Série A exige a diminuição da cota estipulada no contrato assinado entre a Liga e a empresa detentora dos direitos de transmissão. Nesse contexto, clubes como o Flamengo, detentor da maior fatia, questionam a redução dos valores.

Remo| Raul Martins, ascom Remo

O contrato entre a Libra e a Globo prevê a distribuição de R$ 1,170 bilhão entre os clubes da primeira divisão, que eram nove até o ano passado. O acesso do azulino revelou uma falha contratual, que não permitia a entrada de um novo clube na elite, apenas a saída. Caso o percurso fosse o oposto e um clube fosse rebaixado da Série A para a Série B, o montante distribuído apresentaria uma redução de 11%. A hipótese contrária, entretanto, foi deixada de lado, e foi exatamente o que ocorreu.

Diante do impasse jurídico, os clubes da Libra (Palmeiras, São Paulo, Santos, Red Bull Bragantino, Flamengo, Bahia, Vitória, Grêmio e Atlético-MG, exceto Remo) se posicionaram firmemente e solicitaram um aumento no valor total, pois acreditavam que sua parte seria menor do que o esperado. Como detentor da maior cota, o Flamengo liderou a insatisfação e solicitou um ajuste para R$ 1,3 bilhão, acrescido da inflação, assegurando que ninguém, nem mesmo o Remo, saia no prejuízo.

Escudo azulino - Crédito: Reprodução/Redes Sociais do Clube
Escudo azulino – Crédito: Reprodução/Redes Sociais do Clube

Para efeito de comparação, no ano passado, o Red Bull Bragantino foi um dos clubes com menor participação, recebendo cerca de R$ 95 milhões. Para que o Remo receba cerca de R$ 90 milhões, o clube paulista precisaria abrir mão de aproximadamente R$ 10 milhões em suas receitas anuais, uma vez que a audiência é um dos elementos cruciais para o valor final. Se o Leão Azul surpreender e conquistar bons índices de audiência e uma posição final significativa, essa diminuição em relação à Red Bull tende a ser ainda mais acentuada.

Um ponto curioso é que, antes da explosão da bomba, o Flamengo já havia expressado preocupação com esse possível desfecho, porém, em fevereiro de 2025, não foi sequer consultado. Depois de pressionar a diretoria da Libra, o clube carioca recebeu uma resposta desanimadora a Globo tem um contrato em vigor que não a exige a pagar mais. A partir desse ponto, dois cenários começaram a agitar os bastidores do futebol.

Um deles é a assinatura de um aditivo contratual que inclui o Remo no grupo, na outra extremidade da corda estaria o Flamengo, que provavelmente recusa-se a assinar o aditivo, alegando que só o fará após a renegociação dos valores de transmissão com a Globo. No momento, dos recursos alocados para os clubes da Série A, 40% são divididos igualmente, 30% são concedidos com base no desempenho esportivo e 30% são distribuídos de acordo com a proporção de torcedores de cada clube que são assinantes.